Previsões para a indústria da música em 2010

Nick Crocker, da Native Digital, empresa responsável pela criação do blog The In Sound From Way Out, da EMI e fundador do site We Are Hunted (que confesso que não entendi bem a finalidade), fez um TOP 5 de previsões interessantes para a indústria da música em 2010 publicado pelo site Mashable. Algumas de suas previsões são um tanto óbvias, mas outras bastante visionárias acerca das possibilidades do mercado atual da música.

TOP 5:

1 – Selos ficarão mais espertosMesmo isto não sendo novidade, nos últimos 10 anos os grandes selos têm investido em oportunidades de negócios com ênfase no digital. Estão licensiando música de forma mais sustentável, diversificando os modelos de negócios, investindo em novas tecnologias e, principalmente, entendendo antes tarde do que nunca que tudo deve se basear no que o que o consumidor quer.

Como líderes de mercado, os grandes selos de música terão os recursos necessários para lucrar com as mudanças que estão ocorrendo. A mudança do físico para o digital não tem sido tão rápida quanto muitas pessoas pensaram, mas isto porque o digital ainda não paga como o “físico”.

CDs, quando vendem bem, ainda dão bons lucros. O digital não. Mas isso está mudando e, como as majors têm encolhido, sua capacidade para mudança têm aumentado. Em 2010 a publicidade negativa das majors vão começar a ser mais favoráveis.

A promessa da era digital – melhor compreensão do consumidor de música, integração de venda de ingressos com mercadorias, venda direta ao consumidor e a inclusão de fãs no seu time de marketing – está para se tornar realidade, e as grandes majors vão liderar estas mudanças.

2 – A venda de CDs continuará a cair
Está é uma previsão certa e sem surpresas.

3 – As estratégias de lançamento irão evoluir

O modelo tradicional de construção de negócios através do lançamento de singles pelas radios, seguido de um cuidadoso e calculado lançamento de álbum ainda será o caminho usado pela música pop comercial. Mas nas “beiradas” veremos começar um novo modelo de lançamento de música, mais conectado com a diversa comunidade de consumidores.

O novo modelo, como o pioneiro lançado pela Topspin Media, será diferenciado, feito em etapas. Artistas irão oferecer gratuitamente sua música através de streaming ou downloads selecionados para os mais cuiosos e dedicados, construindo sua base de fãs por cada etapa. Lançamentos tradicionais serão seguidos e alinhados por produtos inovadores, com preços diversificados, para um seguimento mais acurado de grupos de fãs.

Mais do que somente um CD de plástico, veremos começar os mais variados produtos musicais: streamings gratuitos com baixa qualidade de MP3, pacotes digitais ou físicos, reforçados por um lançamento físico e digital, e diversos níveis de produtos, incluindo vinil, mercadorias e maior acesso ao artista.

Ainda pensamos na música no seu formato físico de um CD nas prateleiras. Aos poucos começaremos a entender a música como uma variedade de produtos – camisetas, canecas, livros, arte, partituras assinadas, USBs, e uma experiência musical  única.

4 – A música irá viver nas núvens

Tem sido falado por muitos anos, mas 2010 será o ano em que vamos começar a pensar menos na música como um produto finito e mais como infinito, um reservatório on-demand para ser acessado a qualquer hora através de uma taxa.

Este processo estará alinhado com a evolução dos produtos da música. Mesmo a música sendo universalmente acessível , ainda estará conectada com a identidade (ou identificação) das pessoas com ela. Ainda precisamos de algo para ouvir quanto tomamos café, algo para indicar para um amigo, para colocar na árvore de natal e também para dar um sinal ao mundo de que “esta música faz parte de mim e eu quero que você saiba disso”.

iTunes, como sempre, está guiando estas mudanças. Sua aquisição do LaLa poderá os tornar donos do mercado de streaming e consequentemente da música digital. O site Spotify parece ter esfriado, mas ainda é o melhor serviço de streaming e poderá ter vantagem no potencial “núvem” da música. O Grooveshark cresceu e se continuar, irá ocupar um importante lugar na disputa do streaming. MySpace, com o iMeem e o iLike como trunfos, poderá consolidar um espaço na terra do streaming.  E finalmente o Google – dono de quase tudo – poderia facilitar tudo integrando a música em sua plataforma de busca.

Seja quem for que disparar na largada deste novo “sistema”, estará em território novo, dando acesso ao mundo da música a qualquer hora, em qualquer lugar ou em qualquer tipo de aparelho.


5 – E como será?

Ainda existem alguns modelos de consumo sem teste construindo um momento.

Guvera está prometendo ao mundo, não somente à indústria da música, mas à propaganda também. O que os consumidores irão comprar através das propagandas para compartilhamento de conteúdo ainda está por ser visto.

Rdio, com um bom pedigree e dinheiro, ainda não se mostrou por inteiro, mas seja qual for a sua proposta, não será peso leve.

Perdidos em todo esse fusuê está o fato de alguns legados de empresas de música digitais – Last.FM, Pandora e MySpace, citando algumas – ainda terem as “marcas”sólidas ao seu lado, a base existente de consumidores e o fluxo de receita que preservam sua existência para além da blogosfera tecnológica musical.

E tem o Facebook, claro. O maior país do mundo (ou prestes a ser), Facebook e a música nunca se deram muito bem. Se Zuckerberg e Co. conseguirem descobrir um jeito de integrar a música na plataforma do Facebook, a sua base de usuários irá garantir uma boa fatia do mercado da noite para o dia.

Isto tudo será acrescentando num grande vazio de incertezas, em que será preenchido pela forma que a web sempre soube fazer – pelos seus usuários finais. O que estes usuários decidirem gostar irá determinar os vencedores e perdedores na economia digital da música. Como um apaixonado por música, mal posso esperar por esta competição. Para aqueles na fronteira do digital, a música está melhor do que nunca.

* A versão original deste texto é em inglês e está disponível no site Mashable, onde foi publicado inicialmente.

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Arquivado em download, facebook, indústria da música, marketing, música, música digital, selos e gravadoras, streaming

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