Crise Mundial: uma perspectiva carioca-brasileira

Tentando fugir um pouco da temática “crise”, que domina o noticiário português num esforço claro de aumento de pânico da população “Rede Globo style”, mudo para um canal de séries. Descubro que a série WEEDS aqui é chamada ERVAS (!!), e que a chamada é: “Em tempos de crise…”, e segue com algo como “a pessoa precisa se virar” (desculpa, meu ouvido traduz imediamente para o PT-BR). O tema aqui é mesmo único: “crise”. E eu sigo sem entender o que é “crise” aqui, já que nunca vivi fora de uma no Brasil. Ponto pras diferenças (sociais? econômicas?)

Veja bem, não é que não seja solidária e que não ache péssimo qualquer povo perder direitos, benefícios, oportunidades e tudo que o mundo todo deveria ter.  Isso é mesmo horrível! Mas não consigo deixar de pensar na realidade brasileira quando escuto coisas como “meu amigo de 30 anos agora não consegue pagar o financiamento da sua casa que comprou há cinco anos”, e o que me vem à mente é “Uau! alguém de 25 anos aqui consegue pegar um financiamento para sua casa própria? Uau!”. Entende? O que perdem por aqui na tal chamada crise ainda está distante do que é o “normal não ter” no Brasil. E falo de uma perspectiva de classe média.

E o mais engraçado é que no meio disso tudo, o Brasil é apontado como a “terra promissora”, um país em crescimento. Sim, está mesmo muito melhor do que estava há uma década atrás, mas para ficar bom no que é considerado bom na Europa e Estados Unidos, vamos botar ai algumas décadas a frente. É difícil pra mim ver o Brasil como futura potência, quando vejo tantos problemas sociais no país, tanta violência, tanta injustiça, tanta corrupção, tantos impostos absurdamente altos..! Então quer dizer que o “potencial” do Brasil é só econômico? E como um país pode crescer economicamente e deixar tanta coisa pra trás por resolver? Tem tanta coisa errada no Brasil, mas tanta, que eu tenho sim uma visão pessimista das coisas. Acho por exemplo que o Real forte como moeda é uma ilusão. Mas isso todo mundo sabe. O que eu torço é para que ele se mantenha até 2016, ano das Olimpíadas. ta bom de otimismo pra você?

Outro dia também ouvi alguém dizer que a mãe aposentada pensa em se mudar para o Brasil, que tem muitas coisas boas, como idosos não pagarem transporte. Pra você ver o que é uma ilusão do que é o Brasil, ne? O idoso não paga transporte e sai em vantagem com Lisboa, já que o passe mensal custa 33 euros. Ok. Mas o idoso brasileiro precisa de seguro de saúde, que com a idade avançada pode custar uns 500 euros mensais… Eliminada a vantagem brasileira? Acho que sim. E isso é só um exemplo, posso escrever uma tese de doutorado sobre como o idoso só se ferra no Brasil, isso quando chega a uma idade avançada com saúde, já que os motoristas de ônibus, ao menos do Rio de Janeiro, fazem um constante esforço para derrubar velhinhos no chão com a velocidade em que andam… Seria uma tentativa de quem sabe assim diminuir os usuários gratuitos…? Peguei pesado, ne? Mas caramba, vamos prestar atenção na realidade alheia? Vamos tentar sair um pouco da bolha da especulação financeira?

Eu sigo com uma grande interrogação com o que pode acontecer com a chamada “crise mundial” e espero que todos sofram o menos possível. Só acho o seguinte, a comunidade Europeia enquanto comunidade é uma grande farsa e isso pode ruir a qualquer momento. Se tem uma casa, tem saúde, consegue pagar suas contas, não se mova. Não existe no momento um lugar que seja solução dos problemas da crise mundial, não existe lugar seguro. Esta é também outra ideologia que está por ruir. E não se iludam com o Brasil, na pele a coisa é bem diferente. Aqui vai uma sugestão o mais otimista possível: se tem muito dinheiro e pode abrir uma empresa, um negócio, comprar uma casa, vá ao Brasil, caso contrário, fique onde está!

1 comentário

Arquivado em cidade

Uma resposta para “Crise Mundial: uma perspectiva carioca-brasileira

  1. Vê aqui uma reflexão interessante sobre a crise:

    que entre outros diz que em Portugal, “sempre fomos oceânicos, sempre esperamos da salvação que vem de fora, que há-de chegar”… Talvez por isso haja a tendência para achar que “a gente precisa de se virar”, para o outro lado do Atlântico🙂
    Como falamos no outro dia, a mudança tem de ser mais funda!
    Bem vinda à terra do fado!
    abraço

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s