Arquivo do mês: abril 2012

Obrigada, Santuza.

[Este guest post foi escrito pela Janet Gunter]

Demorei para sentar e escrever isso. Perder a Santuza subitamente foi como perder uma floresta, uma floresta viva que conheci há mais duma década – que sabendo que ela ainda existe, ajuda-me a respirar, sentir-me bem neste mundo. O escritor Wallace Stegner escreveu:

 “The reminder and the reassurance that [wilderness] is still there is good for our spiritual health even if we never once in ten years set foot in it.”

Vou falar da minha chegada ao cantinho da floresta da Gávea que era a Santuza para mim.

Quando eu cheguei no Brasil para uma curta estadia na PUC-RIO, eu já tinha o email “expresso2222” – o que atraiu-me à lingua portuguesa, ao país-continente, foi desde o início a música, que eu consumia na minha adolescência através dos LPs do meu pai. Ele próprio, puro gringo como eu, pegou “o bicho” nos anos 60, tocando bossa nova, e viajando pelo Brasil como estudante.

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“mini tributo” à Santuza Cambraia Naves

Conheci a Santuza durante a minha graduação na PUC-Rio, entre os anos de 1997 e 2000. Tinha 19 anos. O departamento de Ciências Sociais e Política da PUC-Rio vivia um momento muito especial, tinha acabado de se reerguer e ao que me lembro, as primeiras “novas” turmas formaram-se dois ou três anos antes de mim, ainda não era o melhor curso de ciências sociais do estado do Rio de Janeiro (desculpa lá, como dizem por aqui, mas tenho orgulho disso! :p). A gente vivia na “casinha” do departamento como uma grande família, mesmo pequena em número. Ali todo mundo sabia o nome de todo mundo e as relações eram bem próximas.

Foi nessa atmosfera que conheci a Santuza, minha professora de Antropologia da Música e de tantas outras disciplinas que fiz com ela relacionadas a arte. Já não fossem os temas das aulas profundamente interessantes, Santuza tinha um modo muito próprio de dar aulas, um tom de voz muito particular também, uma risada e um sorriso contagiante e, claro, um cigarrinho fumado de um jeito muito Santuza, que entrava ali na aula como parte necessária do cenário. Sem o cigarro não era a mesma coisa, não era Santuza. E tudo isso acontecia no ar mais tranquilo possível… Ir para a aula da Santuza era como entrar num atmosfera à parte. Continuar lendo

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