Arquivo da categoria: música

Obrigada, Santuza.

[Este guest post foi escrito pela Janet Gunter]

Demorei para sentar e escrever isso. Perder a Santuza subitamente foi como perder uma floresta, uma floresta viva que conheci há mais duma década – que sabendo que ela ainda existe, ajuda-me a respirar, sentir-me bem neste mundo. O escritor Wallace Stegner escreveu:

 “The reminder and the reassurance that [wilderness] is still there is good for our spiritual health even if we never once in ten years set foot in it.”

Vou falar da minha chegada ao cantinho da floresta da Gávea que era a Santuza para mim.

Quando eu cheguei no Brasil para uma curta estadia na PUC-RIO, eu já tinha o email “expresso2222” – o que atraiu-me à lingua portuguesa, ao país-continente, foi desde o início a música, que eu consumia na minha adolescência através dos LPs do meu pai. Ele próprio, puro gringo como eu, pegou “o bicho” nos anos 60, tocando bossa nova, e viajando pelo Brasil como estudante.

Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em música

“mini tributo” à Santuza Cambraia Naves

Conheci a Santuza durante a minha graduação na PUC-Rio, entre os anos de 1997 e 2000. Tinha 19 anos. O departamento de Ciências Sociais e Política da PUC-Rio vivia um momento muito especial, tinha acabado de se reerguer e ao que me lembro, as primeiras “novas” turmas formaram-se dois ou três anos antes de mim, ainda não era o melhor curso de ciências sociais do estado do Rio de Janeiro (desculpa lá, como dizem por aqui, mas tenho orgulho disso! :p). A gente vivia na “casinha” do departamento como uma grande família, mesmo pequena em número. Ali todo mundo sabia o nome de todo mundo e as relações eram bem próximas.

Foi nessa atmosfera que conheci a Santuza, minha professora de Antropologia da Música e de tantas outras disciplinas que fiz com ela relacionadas a arte. Já não fossem os temas das aulas profundamente interessantes, Santuza tinha um modo muito próprio de dar aulas, um tom de voz muito particular também, uma risada e um sorriso contagiante e, claro, um cigarrinho fumado de um jeito muito Santuza, que entrava ali na aula como parte necessária do cenário. Sem o cigarro não era a mesma coisa, não era Santuza. E tudo isso acontecia no ar mais tranquilo possível… Ir para a aula da Santuza era como entrar num atmosfera à parte. Continuar lendo

5 Comentários

Arquivado em música

A Nova MPB

Hoje quero republicar aqui uma entrevista muito interessante que o Fred Coelho, professor e pesquisador de música, deu para o Diário do Nordeste. Fred sintetizou bem a discussão sobre a “Nova MPB”.

Ruptura e renovação

Publicado em 4 de setembro de 2011 no Diário do Nordeste

Respondendo por e-mail, pesquisador falar das tensões e aproximações, entre a geração da MPB dos anos 60 e os artistas mais jovens

> Ultimamente, muito se tem falado sobre a chamada “Nova MPB”. O que na verdade consiste esse momento? Ele é caracterizado pela ruptura ou pela continuidade?

O que chamamos de “Nova MPB” é a forma como se encontrou para dar conta de uma produção intensa e extensa, em qualidade e quantidade, de uma geração que chegou ao momento maduro de sua produção. A mesma geração que, desde meados dos anos 1990 (e, por isso, um marco sempre evocado é o Manguebeat, quando uma cena musical local como a de Recife incorporou os dados da eletrônica, ganhando projeção nacional fora dos meios já conhecidos de divulgação das grandes gravadoras e da grande mídia) precisou se reinventar dentro da crise da indústria fonográfica e do admirável mundo novo dos novos recursos digitais de gravação, reprodução e circulação da mercadoria música. Uma geração que entendeu o processo e passou a produzir de forma orgânica, juntando forças, trocando ideias e colaborando não apenas para sua carreira, mas para todo um campo de produção e fruição. Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em música

4 Razões para adorar crianças asiáticas

Eu acho bebê asiático a coisa mais linda do mundo, todos eles, os chineses, os japoneses, os tailandeses, todos-todos-todos. Agora te dou mais quatro razões em vídeo para concordar comigo que os bebês (e as crianças em geral) asiáticas são o máximo!

Razão 1:

Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em música

Curadoria do Prêmio de Produção Crítica em Música da FUNARTE cheira a mofo

Não posso dizer que esperava muito da recente lista do Prêmio de Produção Crítica em Música da Funarte, mas dentre as instituições que premiam monografias, incentivam publicações e projetos de pesquisa, esperava essa ser a mais “neutra” no que diz respeito a gêneros musicais e regiões do Brasil. Em primeiro lugar, não quero de forma alguma desmerecer nenhum dos premiados e nem ter preconceito com seus temas, mas em uma lista de DEZ prêmios de publicação em música, termos 2 sobre Bossa Nova, 1 sobre Camargo Guarnieri, 1 sobre identidade e violão até década de 30, 1 sobre João de Deus de Castro Lobo (1794-1832), 1 sobre Gilberto Mendes, 1 sobre Pixinguinha e 1 sobre o sertanejo Góia, mostra a total desconexão e interesse com a produção musical contemporânea brasileira, além de uma despreocupação em mostrar o amplo espectro da produção crítica musical brasileira. Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em editoras, música

Faça você mesmo: a sua música no Rock Band

A partir de hoje, um programa permitirá que as bandas disponibilizem suas músicas para venda no Rock Band. As faixas irão compor o acervo da Rock Band Network Store, com já mais de 700 faixas disponíveis.  Criadores e bandas terão a chance de compartilhar suas músicas com outros músicos, críticos e fãs, além de divulgar seu trabalho e claro, ter algum lucro com isso. Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em indústria da música, jogos, música, música digital, Rock Band, selos e gravadoras

Em 2009, o mercado da música digital só cresceu (e o do vinil também!)

Muita especulação foi feita acerca do futuro da música digital. Mas julgando pelos resultados de uma recente pesquisa da Nielsen sobre o mercado americano, a música só cresceu em 2009.

A pesquisa diz que ocorreu um aumento de 2,1% de 2008 para 2009, com a venda de  1,16 milhões de faixas digitais (aumento de 8,3% em relação a 2008) e 76,4 milhões de álbuns digitais (um salto de 16,1%). Na verdade, 40% das vendas em música no ano de 2009 foram no formato digital.

Os artistas que mais venderam foram bastante previsíveis: Michael Jackson, Taylor Swiff, The Beatles, Lady Gaga e Susan Boyle são alguns dos mais bem sucedidos. Isto sinaliza que a cultura pop (e sucessos instantâneos na internet) ainda dominam o mercado da música. Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em download, indústria da música, música, música digital, selos e gravadoras